Acção de Formação à Distância TRENDS/PROF2000    

A-13 - Calculadora gráfica e o computador em interacção

António Manuel Marques do Amaral



João Filipe Matos


Modelação Matemática: o papel das tecnologias de informação?

(...) Os computadores e as calculadoras tornam possível a visualização e a manipulação de objectos matemáticos de uma forma diferente daquela que fazemos com a tecnologia do papel e lápis. A tendência é que se torne viável trabalhar com problemas reais capazes de estimular o interesse dos alunos pela Matemática e pela sua aplicação.

(...) A importância da flexibilidade representacional destes instrumentos (computadores e calculadoras) reside em dois tipos de razões. Por um lado, diferentes representações de uma ideia complexa permitem salientar diferentes aspectos dessa mesma ideia e, dessa forma, favorecem vários tipos de análise. Por outro lado, é um facto que os alunos diferem na sua capacidade de compreender e utilizar certas representações. Desta forma, ao tornar disponível diferentes representações, com recurso ao computador e à calculadora, alargam-se as possibilidades de aprendizagem matemática em face de uma situação real...

(...) Existem diversas ferramentas com grandes potencialidades para o apoio a actividades de modelação matemática a nível do ensino básico e secundário. Entre as que mais podem contribuir positivamente para a construção de modelos encontram-se as folhas de cálculo, os programas para ajustamento de curvas, programas de gráficos de funções e programas de manipulação simbólica. Além destes existem os programas concebidos especificamente para a actividade de modelação de que são exemplos o PowerSim e o Modellus.

(...) Recentemente, assiste-se a uma extensão qualitativa das funções dos computadores em actividades de modelação. Algumas ferramentas computacionais permitem construir modelos matemáticos de situações reais sem necessidade de conhecer toda a Matemática formal que sustenta os modelos computacionais. É possível desta forma estudar um dado fenómeno através da introdução de informação de natureza qualitativa.
Por exemplo, a variação da temperatura de uma bica acabada de tirar pode ser modelada qualitativamente dado que há ideia de que haverá um arrefecimento, o que corresponderá a uma curva da temperatura que será descendente. É possível introduzir esta informação no computador de forma qualitativa (através da representação de um esboço gráfico) cabendo ao computador a tarefa de calcular os pontos ou a função correspondente.
Esta informação acerca do arrefecimento da bica (ou melhor, da nossa ideia intuitiva do que será a variação da temperatura da bica ao longo do tempo) pode depois ser usada para analisar a influência de factores tais como a temperatura ambiente, o volume de café contido na chávena, etc. Naturalmente que a variação da temperatura representada desta forma pode ser comparada (quantitativamente), utilizando o computador, com valores reais captados através de um sensor de temperatura colocado na bica.

Abre-se desta forma uma variedade de utilizações de representações computacionais que valorizam a intuição acerca dos fenómenos e não colocam como elemento-chave e primeiro o conhecimento das funções que regem esses fenómenos.

João Filipe Matos, "Modelação Matemática: o papel das tecnologias de informação",
Educação e Matemática n.º 45, Novembro/Dezembro de 1997

 

Actualizada em
 19-06-2000