|
Porquê tantas tentativas
"actuais" para trissectar o ângulo?
Esta
pergunta, que no meu ponto de vista, é apenas aparentemente inofensiva
(peço desde já desculpa se assim não for), tem vindo a inquietar-me
profundamente. Eu explico. Disse o formador: “É admirável que um
problema já conhecido dos geómetras gregos e cuja impossibilidade de
resolução (nas condições em que foi colocado), foi demonstrada no séc.
XIX faça, ainda, correr tanta tinta.” Daqui, sublinho: «faça ainda
correr tanta tinta».
Julgo
que toda essa tinta não pode ser atribuída apenas aos apologistas do «importante
é que a procura para a solução deste problemas fez surgir conceitos
novos, mais e mais matemática, e como esta nossa aprendizagem poderá
contribuir para sermos mais e melhores professores», com o acrescento
devido às razões apontadas no manual Infinito 11 (pág. 59), Volume 1,
da Areal Editores, nem com o processo de obter uma trissectriz de um ângulo
obtuso aí descrito:
|
Uma
das razões por que devemos aprender a resolver problemas
encontramo-la na História, pois os problemas foram e são um dos
principais motores da evolução científica. O problema da
trissecção de um ângulo, registado na História da Matemática,
é disso um exemplo excelente.
Desde o século V a. C., juntamente com outros, tais como a
duplicação do cubo, a quadratura do círculo que dividir um ângulo
qualquer; no contexto da geometria de Euclides onde as construções
requerem o uso exclusivo da régua e compasso euclidianos,
constituiu um desafio durante séculos a inúmeros matemáticos.
Por causa daquele problema estudaram e construíram muita da Matemática
que hoje sustenta a ciência moderna e só no século XIX se
conseguiu provar que, nas condições requeridas, era um problema
impossível.
|
|
|
O
meu espírito continuava desassossegado. Porquê tanta tinta?
Após umas pesquisas pela Internet, algo começava a tomar forma.
De seguida, apresento alguns excertos dessas pesquisas, os quais, no meu
ponto de vista, poderão justificar a razão de TANTA tinta.
| Trisection
of an Angle, Jim Loy |
|
|
... Eu recebi este email.
Suponho que sou bastante inovador quando indico que algumas coisas
são actualmente impossíveis:
«Li o seu artigo sobre a
trissecção do ângulo. Você parece bastante inteligente, mas
possivelmente demasiado pomposo para ser um matemático. Eu
resolvi este problema quando tinha 13 anos. Certamente não tem
que desaprovar cada nova ideia que lhe chega, provavelmente nem
sequer necessita de ver a maioria delas. Mas apoiar-se numa teoria
velha incompleta de 200 anos cheia de buracos e desse modo
tentando abafar o pensamento inovador é exemplar do tipo de arrogância
que permite que tolos se chamem a si próprios de educados. Bom
dia.»
As pessoas imponentes não
podem ser matemáticos? Posso certamente ser pomposo de outras
maneiras, mas estava a relatar apenas o que diz a geometria de
hoje. Temos uma prova de que a trissecção do ângulo (usando
certas ferramentas elementares) não pode ser feita. Você não
pode refutar uma prova chamado-a de desactualizada. De
facto, não pode esperar que alguém acredite em si quando diz que
fez alguma coisa considerada impossível, sem qualquer prova
disso.
Obrigado por me informar que
pode fazer o impossível; perdoe-me por não acreditar em si.
Disse-lhe, “Com certeza não resolveu este problema quando tinha
13 anos.” Parece que ele aceitou isto muito mal, e jurou nunca
mais me escrever. É pena.
Abafando a inovação? Devo
ter um temperamento diferente desta pessoa que me enviou este
email. Pessoalmente, estou intrigado como todos sobre um problema
que sei ser impossível. Como é que sabemos que é impossível?
Isso deve ser difícil de provar. Por que é que esta ideia não
funciona ou essa outra ideia? Eu aprendi alguma geometria
trabalhando nestes problemas impossíveis.
... Eu não tencionava
transformar-me num quebra trissecções. Apenas estava disposto a
indicar erros óbvios. Mas alguns dos processos que me foram
enviados eram complicados ou deficientemente descritos. Como é
que se pode quebrar uma construção que se não percebe? Bem,
este é na verdade um dos meus projectos divertidos. Quebrando
alguns dos métodos mais complicados descritos acima, descobri que
aprecio fazer isso. E, certamente, estou a melhorar a minha
destreza em trigonometria.
Há uma piada, em que há
dois tipos de pessoas, aquelas que dividem as pessoas em dois
tipos, e aquelas que não. Bem, há vários tipos diferentes de
pessoas que escolhem acreditar que a trissecção (usando as
ferramentas antigas) é possível. O primeiro tipo é
matematicamente iletrado, e parece não ter a certeza se 2+2 é
sempre igual a 4.
A maioria do género humano,
na sua maior parte não cientistas e não engenheiros, é
identicamente iletrada matematicamente. Disse a uma dessas pessoas
que a simples trigonometria mostra que a sua trissecção de 60
graus fez um dos ângulos de 19,07 graus, e ela informou-me que a
trissecção era um problema de geometria, não um problema de
trigonometria, uma resposta que me deixou sem fala (por um
momento).
Um segundo tipo de pessoas é
versado matematicamente (algébrica e geometricamente) até certo
ponto, mas parece pensar que uma resposta que está próxima de
certa é certa. Medem dois ângulos e pensam que têm a mesma
medida, e não se dão ao aborrecimento de provar que eles têm a
mesma medida.
Um terceiro tipo é também
adepto da matemática, e pensa que trissectou um ângulo, mas fez
algum género de erro; e então descobre que isso é presumível
ser impossível. Essas pessoas reagem com indignação quando lhes
é dito que realmente não trissectaram um ângulo. Em vez de
tentarem encontrar os seus erros, o que seria bastante educativo,
zangam-se comigo, como se a falha fosse minha.
Há ainda um quarto tipo de
pessoas, que realmente trissectou um ângulo arbitrário, com as
ferramentas apropriadas? Bem, aí está aparentemente uma prova de
que tal pessoa não pode existir. Uma prova matemática
apresenta-se com um padrão muito elevado de prova. |
|
|
Trisection
of an Angle, Jim Loy
http://www.jimloy.com/geometry/trisect.htm |
| Why
Trisecting the Angle is Impossible, Steven Dutch |
|
|
“Impossível” é um
desafio bem vindo para muitas pessoas. Os problemas [trissecção
do ângulo, quadratura do círculo e duplicação do cubo] são tão
fáceis de perceber, mas a prova de impossibilidade é tão avançada,
que muita gente rejeita liminarmente aceitar que os problemas são
impossíveis. Eu ainda não desisti de persuadir essa gente. Matemáticos
passaram anos correspondendo-se com muitos deles, e muitos eram
absolutamente imunes à persuasão («The trisectors», digo.).
Mas se desejar uma (esperançosamente) explicação inteligível
de porque os matemáticos consideram os problemas impossíveis –
quanto provado ser impossível – então este site pode ajudá-lo.
Um dos maiores problemas que
as pessoas têm com a trissecção do ângulo é a ideia de que
algo pode ser provado ser impossível. Muitas pessoas recusam
liminarmente que algo possa ser provado ser impossível. Mas isto
não é uma contradição? Se nada pode ser provado ser impossível,
e puder prová-lo, então provou algo impossível, e
contradisse-se. De facto, mostrar que algo envolve uma contradição
é um meio poderoso de mostrar que algumas coisas são impossíveis.
Por isso antes de pegar o problema da trissecção, vamos gastar
algum tempo a provar que algumas coisas são impossíveis,
mostrando como pode ser feito.
... Muita gente que envia
soluções sobre os três problemas clássicos aos departamentos
de matemática não tem qualquer indício de que os problemas
foram resolvidos finalmente. Muitos pensam seriamente que os matemáticos
desistiram e decretaram os problemas não susceptíveis de resolução.
Os problemas de verdade não
podem ser resolvidos porque requerem propriedades que os
instrumentos euclideanos simplesmente não possuem.
... Os trissectores de ângulos
mais letrados matematicamente estão por vezes cientes da teoria
dos números, mas rejeitam-na porque pensam que um problema geométrico
apenas pode ser resolvido correctamente de forma geométrica. Mas
se o problema é tal que a solução requeira capacidades além
das da régua não graduada e do compasso, como é que isso pode
ser descoberto dentro da geometria? De qualquer forma, quem diz
que os problemas geométricos apenas podem ser resolvidos
correctamente de forma geométrica? A única coisa que pode
justificar essa regra é alguma demonstração de que a solução
geométrica de um problema e a algébrica dão resultados
diferentes – e então ter-se-á de provar que a geométrica é a
correcta. Mas não existem casos onde isso já tenha acontecido,
por isso não há justificação para rejeitar a solução algébrica
nos problemas clássicos. |
|
|
Why
Trisecting the Angle is Impossible
Steven
Dutch, Natural and Applied Sciences, University
of Wisconsin - Green Bay
http://membres.lycos.fr/villemingerard/Histoire/Trisangl.htm |
|
|
Ola Pessoal,
A mensagem abaixo pode ser do interesse de muitas pessoas. Nela o Conway
fala da trisseccao do angulo, um dos problemas classicos da antiguidade.
>From: John Conway <conway@Math.Princeton.EDU>
>To: Craig <jcraigw@msn.com>
>CC: geometry-college@mathforum.org
>Subject: Re: Trisect angle geometrically
>Date: Wed, 21 May 2003 12:31:55 -0400 (EDT)
>
>On 20 May 2003, Craig wrote:
>
> > Can someone lead me to a procedure or proof of how to trisect an angle
> > using geometry? Thank you.
>
> Well, you can't trisect an arbitrarily given angle using ruler and
>compass in the ways presecribed by Euclid, but you can if you use a marked
>ruler. Here's how. Supposing that the ruler has two marks a distance d
>apart, draw a circle of radius d centered at the vertex O of the given
>angle AOB.
>
>
> I hope you can read my figure - but you'll have to imagine that
>circle as passing through A,B,C,Y. Now place your ruler so that it
>passes through B, while one mark X is in the line COA and the
>other one Y is on the circle:-
>
>
> B
> /
> Y /
> /
> -----X----C-------O-------A--------
>
> Then since XY = OY = d the angles OXY and XOY are equal,
>to theta say, and since OY = OB = d (sorry this doesn't look right!)
>the exterior angle OYB = 2theta of this triangle = YBO, and so
>finally the angle AOB, as the exterior angle of triangle XOB
>opposite the two angles OXB = theta and XBO = 2theta, must equal
>3theta.
>
> John Conway
>
_________________________________________________________________
MSN Hotmail, o maior webmail do Brasil. http://www.hotmail.com
=========================================================================
Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
http://www.mat.puc-rio.br/~nicolau/olimp/obm-l.html
=========================================================================
|
| http://www.mat.puc-rio.br/~nicolau/olimp/obm-l.200305/msg00627.html
|
O
que me intriga é a moda ainda não ter chegado a terras Lusitanas. Ou
estou enganado?
|
|
|
Lista de
alguns matemáticos que se debruçaram sobre os três problemas
clássicos, segundo os autores de Infinito 10
|
ABEL
|
1802
|
1829
|
|
AL
KASHI
|
1380
|
1429
|
|
AMADORI
|
|
|
|
APOLLONIUS
|
-262
|
-190
|
|
ARCHIMEDE
|
-287
|
-212
|
|
AUBRY
|
|
|
|
BERGERY
|
|
|
|
BEZOUT
|
1730
|
1783
|
|
CARPENTER
|
|
|
|
CEVA
|
1647
|
1734
|
|
CUSE
|
1401
|
1464
|
|
DEDEKIND
|
1831
|
1916
|
|
DESCARTES
|
1596
|
1650
|
|
DIDEROT
|
1713
|
1784
|
|
DINOSTRATE
|
-390
|
-320
|
|
DIOCLES
|
-240
|
-180
|
|
D'OCAGNE
|
1862
|
1938
|
|
DÜRER
|
1471
|
1528
|
|
EUCLIDE
|
-325
|
-265
|
|
FERMAT
|
1601
|
1665
|
|
GALOIS
|
1811
|
1832
|
|
GAUSS
|
1777
|
1855
|
|
HERMES
|
|
|
|
HIPPIAS
D'ELIS
|
-460
|
-400
|
|
HUYGENS
|
1629
|
1695
|
|
JUSTIN
|
1871
|
1956
|
|
KARAJORDANOFF
|
|
|
KEMPE
|
1849
|
1922
|
|
KRONECKER
|
1823
|
1891
|
|
LAGRANGE
|
1736
|
1813
|
|
LAISANT
|
|
|
|
LEIBNIZ
|
1646
|
1716
|
|
LINDEMANN
|
1852
|
1939
|
|
MAC
LAURIN
|
1698
|
1746
|
|
MENECHME
|
-380
|
-320
|
|
NEWTON
|
1643
|
1727
|
|
NICOMEDE
|
-280
|
-210
|
|
PASCAL
|
1623
|
1662
|
|
PAPPUS
|
290
|
350
|
|
PEAUCELIER
|
|
|
|
PROCLUS
|
411
|
485
|
|
ROBERVAL
|
1602
|
1675
|
|
SLUSE
|
1622
|
1685
|
|
SINELLIUS
|
1580
|
1626
|
|
SYLVESTER
|
1814
|
1897
|
|
TANNERY
|
1848
|
1910
|
|
VAN
DER MONDE
|
1735
|
1796
|
|
VIETE
|
1540
|
1603
|
|
WANTZEL
|
1814
|
1848
|
Seguem
algumas construções apresentadas na página de Jim Loy












|
|