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A Vida
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Como
no caso de outros grandes matemáticos Gregos, também para Euclides
apenas temos escassos conhecimentos da sua vida e personalidade. A maioria
do que sabemos está contido numa passagem de Proclo
(411-485 d.C.),
que se lhe refere, como segue:
Não muito mais novo do que estes
(discípulos
de Platão) é
Euclides, que une os Elementos, coligindo muitos teoremas
de Eudoxo
(408-355 a.C.) (Eudoxus), aperfeiçoando muitos de Teeteto
(417-369 a.C.) (Theaetetus), e trazendo também à demonstração
irrefutável as coisas que foram provadas somente um tanto frouxamente por
seus antecessores. Este homem viveu na época do primeiro Ptolomeu
(323-285 a.C.) (Ptolemy). Arquimedes
(287-212 a.C.) (Archimedes), que veio imediatamente depois do
primeiro [Ptolomeu], faz menção de Euclides: e, mais, dizem que esse
Ptolomeu lhe perguntou uma vez se havia na geometria uma qualquer
maneira mais curta do que aquela dos elementos, e ele respondeu que não
havia nenhuma estrada real para a geometria. É então mais recente do que os
discípulos de Platão, mas mais antigo do que Eratóstenes
(276-194 a.C,) (Eratosthenes) e Arquimedes; sendo estes últimos
contemporâneos,
como Eratóstenes disse algures.
Esta passagem mostra que mesmo Proclo não
teve conhecimento directo do lugar natal de Euclides ou da data de seu
nascimento ou morte. Conclui por dedução. Como Arquimedes viveu
imediatamente depois do primeiro Ptolomeu, e Arquimedes menciona
Euclides, porquanto há uma anedota entre algum Ptolomeu e Euclides,
consequentemente Euclides viveu na época do primeiro Ptolomeu.
Podemos então inferir de Proclo que
Euclides viveu no período compreendido entre a época dos primeiros
discípulos de Platão
(427-347 a.C.) e o tempo de Arquimedes. Ora, Platão morreu em 347 a.C.,
Arquimedes viveu entre 287-212 a.C., Eratóstenes por volta de 284-204 a.C,
assim Euclides deve ter vivido por volta de 300 a.C., cuja data está em
concordância com o facto de que Ptolomeu reinou de 306 a 283 a.C.
O mais provável é que Euclides tenha
feito a sua aprendizagem matemática em Atenas com os discípulos de Platão; a
maioria dos geómetras que o poderiam ter ensinado eram dessa escola, e
ela ficava em Atenas, e ainda porque os escritores mais velhos dos
elementos, e os outros matemáticos de cujos trabalhos os Elementos
de Euclides dependem, aí viveram e ensinaram.
Uma coisa contudo é certa, nomeadamente
que Euclides ensinou e fundou uma escola em Alexandria. Isto fica claro
numa nota de Papo
(290-350 d.C.) sobre Apolónio
(262-190 a.C.): "ele passou um longo tempo com os discípulos de
Euclides em Alexandria, e foi então que adquiriu o tal hábito do
pensamento científico".
Fonte: http://www.perseus.tufts.edu/cgi-bin/ptext?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0086
Apesar
da polémica sobre a vida de Euclides, o reconhecimento da influência
dessa personalidade na nossa cultura tem merecido, ao longo dos tempos, a
atenção de diversos artistas e povos:
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Está longe ainda o fim da polémica sobre a vida de Euclides.
Nesta matéria, Itard (1902-1979, professor de matemática e
historiador da matemática) apresenta três hipóteses possíveis.
-
Euclides
foi uma personagem histórica que escreveu os Elementos e os outros trabalhos
a ele atribuídos;
-
Euclides era o líder de uma
equipa de matemáticos que trabalhava em Alexandria. Contribuíram
todos na escrita das 'obras completas de Euclides', continuando mesmo a escrever livros sob o nome de Euclides após sua
morte;
-
Euclides não
foi uma personagem histórica. As 'obras completas de
Euclides' foram escritas por uma equipa de matemáticos em Alexandria, que
escolheu o nome Euclides a partir do conhecido Euclides de Megara que
viveu aproximadamente 100 anos mais cedo.
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A Obra
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Embora
se tenham perdido mais de metade dos seus livros, ainda restaram, para
felicidade dos séculos vindouros, os treze famosos livros que constituem
os Elementos (Stoicheia). Publicados por volta de 300 a.C., aí está
contemplada a aritmética, a geometria e a álgebra.
Os
Elementos são - a seguir à Bíblia - provavelmente, o livro mais
reproduzido e estudado na história do mundo ocidental. Foi o texto mais
influente de todos os tempos, tão marcante que os sucessores de Euclides
o chamavam de "elementador". Esta obra é considerada um dos
maiores best-sellers de sempre. Obra admirada pelos matemáticos e
filósofos de todos os países e de todos os tempos pela pureza do estilo
geométrico e pela concisão luminosa da forma, modelo lógico para todas
as ciências físicas pelo rigor das demonstrações e pela maneira como são
postas as bases da geometria.
São
raros os livros que têm sido tão editados, traduzidos e comentários
como os Elementos de Euclides. Na antiga Grécia, esta obra foi
comentada por Proclo
(411-485), Herão (c. 10-75) e
Simplício (490-560);
na Idade-Média foi traduzida em latim e árabe; após a descoberta da
imprensa, fizeram-se dela numerosas edições em todas as línguas
europeias. A primeira destas edições foi a de Campano (1220-1296), em
latim, publicada em 1482, edição usada por Pedro Nunes (1502-1578), que
a citou numerosas vezes nas suas obras.
Em Portugal, publicou Angelo Brunelli em 1768 uma tradução em português
dos seis primeiros livros, do undécimo e do duodécimo. Para esta tradução
serviu-se da versão latina de Frederico Comandino e fê-la seguir de
algumas notas com que Roberto Sinson (1687-1768) tinha ilustrado esta versão.
Este livro, foi outrora muito usado nas escolas portuguesas razão pela
qual se fizeram novas edições da tradução de Brunelli em 1790, 1792,
1824, 1835, 1839, 1852, 1855 e 1862.
O
trabalho de Euclides é tão vasto que alguns historiadores não
acreditavam que fosse obra de um só homem. Os trabalhos matemáticos que
chegaram até nós foram inicialmente traduzidos para árabe, depois para
latim, e a partir destes dois idiomas para outras línguas europeias.
Embora
alguns conceitos já fossem conhecidos anteriormente à sua época, o que
impossibilita uma análise completa da sua originalidade, pode-se
considerar o seu trabalho genial. Ao recolher tudo o que então se
conhecia, sistematiza os dados da intuição e substitui imagens concretas
por noções abstractas, para poder raciocinar sem qualquer apoio
intuitivo.
Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/euclides/index.htm
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Página
de uma edição medieval dos Elementos de Euclides, que
data do ano 888.
Está escrito à mão (como todos os
livros eram naquele tempo), e é escrito em grego.
O
manuscrito é chamado de "o manuscrito de Bodleian"
porque petence à Biblioteca
de Bodleian, da Universidade de Oxford.
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A
Óptica de Euclides é o mais antigo trabalho conhecido
sobre óptica geométrica, e é referido geralmente nos manuscritos gregos
em trabalhos elementares na astronomia esférica. Algumas traduções
medievais feitas em latim foram importantes no século XV para a
teoria da perspectiva linear. Esta técnica é ilustrada
maravilhosamente aqui na miniatura de uma cena de rua neste manuscrito elegante da biblioteca do
duque de
Urbino (Lourenço de Médicis, 1449-1492). Este manuscrito pode ter estado
alguma vez na posse de Piero
della Francesca (1412-1492), que escreveu um dos principais
tratados de perspectiva na pintura.
The
Vatican Library
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Muitos outros textos são atribuídos a Euclides, dos quais se
conhecem alguns títulos:
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Divisões
de superfícies;
-
Data
(continha aplicações da álgebra à geometria numa linguagem
estritamente geométrica);
-
Pseudaria;
-
Tratado
sobre Harmonia;
-
A
Divisão (continha muito provavelmente 36 proposições
relativas à divisão de configurações planas);
-
Os
Dados (formavam um manual de tabelas, servindo como guia
de resolução de problemas, com relação entre medidas
lineares e angulares num círculo dado);
-
Óptica
(seria um estudo da perspectiva e desenvolveria uma teoria
contrária à de Aristóteles, segundo a qual é o olho que
envia os raios que vão até ao objecto que vemos e não o
inverso);
-
Os
Fenómenos (celestes) (pensa-se que Euclides
discorreria sobre Geometria esférica para utilização dos
astrónomos);
-
Porismos
(um dos mais lamentáveis desaparecimentos, este livro poderia
conter aproximações à Geometria Analítica).
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As
Fontes
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Nos
Elementos, Euclides compilou e sistematizou muitos dos resultados
matemáticos mais importantes conhecidos no seu tempo, de autoria diversa
e alguns já conhecidos desde há muito tempo. Por isso, Euclides não
deve ser considerado o descobridor da totalidade, nem sequer da maioria,
dos teoremas ou das teorias que constituem o tratado.
Entre
esses autores, destacam-se:
-
Hipócrates
de Chios (~470-410 a.C.)
Os
matemáticos gregos da idade do ouro da Grécia (460 a.C - 430 a.C.)
possuíam um sistema ordenado de geometria plana, em que o princípio da
dedução lógica (apagoge), que permitia inferir uma afirmação a
partir de outra, tinha sido inteiramente aceite. Era o início da
axiomática, como é indicado pelo nome do livro supostamente escrito por Hipócrates,
Elementos (Stoicheia), que é o título de todos os tratados
axiomáticos gregos, incluindo o de Euclides. [1]
-
Teeteto
(417-369 a.C.)
O
Livro X trata da teoria dos números irracionais e ele é na maior
parte o trabalho de Teeteto. [2]
-
Eudoxo de
Cnido (408-355 a.C.)
Euclides
alterou as provas de vários teoremas no Livro X de modo a
ajustarem-se à nova definição de proporção dada por Eudoxo. [2]
-
Teúdio
de Magnésia
(c. 350? a.C.)
Cujo tratado era usado na Academia e, provavelmente, utilizado por
Aristóteles. [3]
Euclides,
nos Elementos, reúne num só tratado quatro grandes descobertas do
seu passado recente: a teoria das proporções de Eudoxo, a teoria dos
irracionais de Teeteto, a teoria dos cinco sólidos regulares, importante
na cosmologia de Platão,
e a teoria da semelhança de triângulos de Thales
de Mileto.
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A
Influência no Panorama Matemático
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A
Influência de Euclides
Desde
Platão a Kant, os filósofos viram a geometria euclideana como um tipo especial do
conhecimento - perfeitamente certo, independente da experiência, ainda de algum modo útil no mundo. A geometria, então, provou a existência de um tipo
de conhecimento incrivelmente poderoso, e os filósofos sentiram-se convidados
a aprofundá-lo.
Com
Euclides, a razão passou a ser coerciva: Qualquer pessoa sensata deve
chegar às mesmas conclusões, quer ela queira ou não. Esta ideia mudou o
Mundo.
Como
é que conseguimos falar de coisas que nunca ninguém viu e percebê-las
melhor do que os objectos reais do dia a dia? Por que razão a geometria
euclidiana ainda é correcta, quando a física aristotélica já morreu há
muito? O que sabemos em matemática e como o sabemos?
Com
o texto em anexo, pretende-se dar uma perspectiva
histórica da influência de Euclides no mundo ocidental. Apresentam-se
também mais alguns excertos de textos relativos a este assunto, que
incluem, alguns deles, referências à influência de Euclides sobre a
matemática portuguesa.
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If Euclid did not invent his geometry, but just
recorded knowledge that had been around for centuries before him,
what did he do that was so important that his text was preserved
and used for thousands of years?
Euclidean geometry was history's first example of a system
of knowledge. Egyptian and Babylonian geometry texts are little
more than lists of facts and formulas. But Euclid had not just put
together a set of facts, he had assembled those facts into a
structure. All the terms were defined, all the assumptions listed,
and all the other statements were derived rigorously from those
assumptions. By comparison all other fields of human thought were
little more than grab-bags of ideas and tricks.
The assumptions – which are called postulates – are
examples of what became known as self-evident truth. In
other words, once these propositions were understood, they could
not be denied. For a truth to be self-evident meant that even
imagining its contradiction involved the mind in absurdities.
Euclid's postulates include statements like “Any two points can
be connected by a line” and “Any circle divides the plane into
an inside and an outside.” These statements seemed to be
fundamentally different from a truth of experience, like “Snow
is white." You can easily imagine green snow or purple snow,
even if you have never seen it. But how could a circle not divide
a plane into inside and outside?
Euclid also did something more subtle, something that changed
the course of human thought for all time. Prior to Euclid,
arguments were private affairs. If I wanted to use reason to
convince you of something, I would begin with premises that you
would accept, and progress logically from there. The particular
premises that you would grant might be very different from those
of another person, and the argument that would result from our
conversation would be unique to us. (Plato's dialogues are
examples of such arguments. Changing any one of the characters
would change the argument.) But Euclid's assumptions are not
intended to be granted by you or me or any other particular person;
they are intended to be universally acceptable. Likewise, the
steps of Euclid's proofs are not intended to convince any
particular person; they are intended to be beyond anyone's
reproach. Euclid's structure establishes geometry as a public
truth, not a private conviction.
Another way to say the same thing is that with Euclid, reason
becomes coercive. If your assumptions are unquestionable, and your
logic is rigorous, then all reasonable people are forced to agree
with your conclusions, even if they would rather not. |
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http://www.gurus.com/dougdeb/Essays/Geometry/Euclid.html
What
Euclid Did
a section of The
Unreasonable Influence of Geometry by Doug Muder |
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Euclides e os Elementos são inseparáveis.
Os 13 livros que constituem essa obra monumental contêm uma grande
parte dos assuntos de matemática elementar que os gregos anteriores
a Euclides e o próprio Euclides e outros matemáticos seus
contemporâneos (Eudóxio de Cnido, por exemplo) elaboraram, mas
expostas de uma forma seleccionada de acordo com um critério
prefixado que converteu esses conjuntos de conhecimentos em sistemas
coerentes e consistentes que persistiram durante mais de 23 séculos!;
o método euclidiano (hoje, naturalmente aperfeiçoado, designa-se
por método axiomático) consistiu em anunciar previamente as definições
dos seres e as hipóteses básicas acerca deles (postulados ou
axiomas) sobre as quais se construirá a geometria, a aritmética,
etc., e depois construir estas ciências em forma rigorosamente
dedutiva; tal método serviu de modelo a um tipo de construção
científica que usado desde então na matemática se estendeu e se
estende ainda hoje a outros sectores científicos. Que Euclides
tenha conseguido sistematizar tão perfeitamente os conhecimentos do
seu tempo, que tenha realizado na geometria, sobretudo, uma construção
lógica impecável, que o seu método de raciocínio se tenha
revelado impossível de ser ultrapassado, eis o que mostra que este
grande sábio era excelente a expor ciência e que deve ter sido um
professor inigualável.
Euclides
é, provavelmente, o autor científico melhor sucedido de todos os
tempos.
Talvez nenhum outro livro, além da Bíblia, se possa gabar de tantas
edições em diversas línguas e certamente nenhuma outra obra matemática
teve tanta influência como a exercida pelos Elementos:
durante mais de dois mil anos, eles serviram como modelo de raciocínio
lógico para todo o mundo, e pode afirmar-se que, durante todo esse
tempo, todos os estudantes que aprenderam geometria, aprenderam-na
de Euclides. |
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Galeria
de Matemáticos do Jornal de Mathematica Elementar, 1991, pág.
20-21 |
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Anexo:
Da certeza à fiabilidade
Platonismo,
formalismo, construtivismo [A]
A
condição filosófica do matemático [B]
O
mito de Euclides [C]
Fundamentos,
achados e perdidos [D]
Um extracto de
A Experiência Matemática,
de Philip J. Davis e Reuben Hersh.
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Uma visão
brilhante e fundamentada do desenvolvimento da matemática [...]
Magnífico. Consegue comunicar ao leitor comum a beleza e o fascínio
pelo tema.
New York Times
Uma verdadeira jóia.
Uma obra-prima do nosso tempo.
Americam Mathematical Monthly
O riquíssimo e
diversificado mundo da matemática é apresentado neste livro: a
sua história e filosofia, a sua estética e pedagogia - mesmo as
personalidades dos matemáticos são apresentadas em belíssimos
sketches biográficos pontuados por acessíveis e sólidas discussões
das obras [...]. Um livro verdadeiramente maravilhoso.
The New Yorker
De repente, somos
transportados para outro mundo - um mundo novo e diferente, mas ao
mesmo tempo estranhamente familiar. Matemáticos ilustres,
problemas famosos e problemas curiosos; as ideias, a história, a
descoberta, a filosofia: a Experiência Matemática inspira-nos o
entusiasmo de pensar, de respirar, de viver a matemática. Não é
um livro de divulgação: é uma obra de arte única.
DOUTOR JORGE BUESCU, Instituto Superior Técnico, revisor científico
de A Experiência Matemática
PHIPLIP J. DAVIS é
professor de Matemática Aplicada na Brown University.
REUBEN HERSCH é
professor de Matemática na Univesidade de New Mexico em
Albuquerque. |
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Deve
referir-se que a Álgebra, domínio em que se deram estes avanços,
estava, na época [séc. XV-XVI], completamente permeada pela
linguagem e pelos métodos da Geometria. Era essa a tradição
grega, nomeadamente dos Elementos de Euclides (séc. III a.C.), obra
em que se encontram muitas proposições correspondentes a factos
algébricos simples enunciadas em linguagem puramente geométrica.
Este facto (relevante pela extraordinária influência do livro de
Euclides ao longo dos tempos, até aos nossos dias) tem suscitado
debates sobre as suas causas e significado. Sem entrar em tais
controvérsias, pode dizer-se que para a génese dessa atitude são
em geral apontadas as dificuldades dos gregos com as quantidades
irracionais, que emergem da aplicação do Teorema de Pitágoras
(séc. VI a.C.): naturais portanto do ponto de vista geométrico, os
números irracionais terão levantado problemas filosóficos que
adiaram por séculos o progresso da Álgebra. |
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http://www.mat.uc.pt/~jfqueiro/HistUniv.pdf
[Pág. 1-2] |
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O
anel náutico
baseia-se numa propriedade geométrica que Euclides demonstra na
proposição 20 do livro III dos seus Elementos
e que Nunes [Pedro
Nunes] expressamente refere dizendo que o ângulo «que está na
circunferência do círculo contém um arco duplo do que tem vértice
no centro». Em linguagem moderna, dir-se-á que o ângulo ao
centro, isto é, com vértice no centro do astrolábio, é duplo do
ângulo inscrito, isto é, com vértice no ponto C.
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http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ciencia/e29.html |
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A
influência do Liber Calculationum, de Swineshead, é clara,
mas a exposição de Álvaro
Tomás é mais sistemática e mais bem organizada. A primeira
impressão que o leitor retem é a da extensão dos conhecimentos de
Álvaro Tomás. As suas fontes matemáticas vão dos mais antigos,
Nicómaco ou Boécio, até à edição muito recente de Euclides por
Bartholomeus Zambertus (Veneza, 1505). Está tão à vontade com os
ingleses Swineshead, Bradwardine e Heytesbury, como com os
parisienses, entre eles Oresme, e com os italianos (Paulo de Veneza,
Jaime de Forli, etc.). O mestre português está na posição
excepcional de conhecer as técnicas formais da abordagem de Merton,
a tradição conceptual da escola parisiense e os contributos
italianos
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http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ciencia/e44.html |
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Em
certo sentido os Elementos de Euclides são a mais importante obra
na história da matemática. Tornaram-se quase num símbolo do que
significa o próprio raciocínio matemático, pois, embora se
recolham muitos resultados conhecidos, a estruturação e o rigor lógico
com que as matérias são apresentadas é inovadora. A sua importância
transcendeu inclusivamente a matemática, a ponto de o
desenvolvimento lógico de tipo euclidiano se ter tornado numa ambição
de muitas outras disciplinas. O impacto desta obra foi tal que
durante cerca de 2000 anos os Elementos de Euclides foram a obra
fundamental em todos os estudos de matemática. [...] Os Elementos
foram objecto de muitos comentários na Antiguidade, por Herão,
Papo, Porfírio, Proclo e Simplício, entre outros, e a história da
sua transmissão desde a Antiguidade até ao Renascimento é
extremamente complexa dada a grande variedade de comentários, versões,
traduções, acrescentos, etc. a que foi sujeito.
A
obra que aqui se apresenta é um exemplar da primeira versão
impressa dos Elementos de Euclides, a famosa edição com os comentários
de Campano de Novara, impressa nas oficinas de Erhard Ratdolt. Entre
os vários aspectos desta edição que valeria a pena assinalar,
refira-se apenas que se trata do primeiro texto impresso, de grande
extensão, a conter diagramas matemáticos, o que implicou a resolução
de alguns delicados problemas de tipografia. |
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http://bnd.bn.pt/ed/pedro-nunes/obras/fontes-p-nunes/pn_fontes_outras_37.asp
[Fontes
de Pedro Nunes] |
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Em
1505 Bartolomeo Zamberto (n. ca. 1473) publicou uma nova tradução
latina dos Elementos, a partir do grego. Nessa edição Zamberto
criticou duramente o texto latino de Campano que circulava em
manuscrito e havia sido impresso alguns anos antes [ver o n.º 37].
Estas críticas lançaram uma acesa polémica pois logo de seguida não
faltaram os que, como fez Luca Paccioli em 1509, saíram em defesa
do texto de Campano, atribuindo as suas deficiências aos erros de
copistas. Uma solução de compromisso parece ter sido adoptada com
esta edição que aqui se refere, que inclui ambas as versões do
texto, isto é, ex Campano e também ex Zamberto. A esta primeira
edição em 1516 seguiram-se outras. O esforço de resolução dos
complexos problemas filológicos associados à edição de um texto
fundamental de matemática é um traço típico da ciência
renascentista e do século xvi, e viria a culminar com a primeira
edição do texto grego dos Elementos, em 1533, que se apresenta no
n.º 39. Nos seus trabalhos Pedro Nunes mostra ter pleno
conhecimento dos Elementos de Euclides, quer na tradição de
Campano, quer com os comentários e correcções de Zamberto, e é
quase certo que a sua biblioteca pessoal possuiria exemplares dos
Elementos na edição de Ratdolt, de 1482 [n.º 37], e nesta de
Paris, 1516. |
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http://bnd.bn.pt/ed/pedro-nunes/obras/fontes-p-nunes/pn_fontes_outras_38.asp
[Fontes
de Pedro Nunes] |
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Esta
é a célebre editio princeps do texto grego dos Elementos, pelo teólogo
alemão Simão Grynaeus (fal. 1541). Não é ainda uma questão
definitivamente resolvida a que se refere à competência de Pedro
Nunes em grego, o que se prende sobretudo com a escassez de informações
relativas aos seus anos de formação, e com o facto de as fontes
gregas que usou nos seus trabalhos existirem em versões latinas na
altura em que escreveu. No entanto, levando em consideração a época
em que viveu e a amplidão das suas competências, é provável que
dominasse também o grego. Seja como for, o que não oferece
qualquer dúvida é que os Elementos de Euclides foram, a par com o
Almagesto de Ptolomeu, as duas mais importantes obras usadas por
Pedro Nunes e por ele abundantemente citadas.
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http://bnd.bn.pt/ed/pedro-nunes/obras/fontes-p-nunes/pn_fontes_outras_39.asp
[Fontes
de Pedro Nunes] |
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BN
INC. 672 - Pert.: "Da Livr.ª de S. B.to de Xabregas". -
Encadernação em pele, sobre pastas de cartão, com gravações a
ouro na lombada |
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BN
S.A. 708 A. - Nota manuscrita: "Orontius Fineus Delphinas hoc
sibi comparavit exemplar. 1533"; Pert.: "Louys de
Machault 1613"; "Jehan Chartier 1629". - Notas
marginais manuscritas. - Encadernação em pele, sobre pastas de
cartão, com ferros gravados a ouro na lombada com vestígios de
acção de insectos |
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Elementos
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Os
matemáticos gregos da idade do ouro da Grécia (460 a.C - 430 a.C.)
possuíam um sistema ordenado de geometria plana, em que o princípio da
dedução lógica (apagoge), que permitia inferir uma afirmação a
partir de outra, tinha sido inteiramente aceite. Era o início da
axiomática, como é indicado pelo nome do livro supostamente escrito por Hipócrates,
Elementos (Stoicheia), que é o título de todos os tratados
axiomáticos gregos, incluindo o de Euclides.[1]
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Péricles
Usa o capacete de estratego, ou seja, chefe do exército,
função que lhe permite exercer o poder em Atenas durante
perto de 25 anos.
440 a. C.
British Museum, Londres |
|
Durante
30 anos, a história da capital da Ática confunde-se
com a de um homem: Péricles. Este aristocrata vai reforçar a
democracia, enriquecer e embelezar a sua cidade. Mas os seus
apetites imperialistas vão, também, precipitá-lo no mais
aventuroso dos conflitos, contra Esparta, a eterna rival. Rebenta a
guerra do Peloponeso, de que Atenas nunca recuperará. Péricles não
assistirá ao declínio da sua cidade: morre em 429, e, em 404 a.
C., os Espartanos entram vitoriosos no Pireu.
Tucídides,
um dos mais ilustres historiadores da Antiguidade, escreve que a
Atenas de Péricles era «a escola da Grécia». De facto, o homem
de Estado sabe rodear-se de criadores cujas obras atravessarão os séculos:
Fídias, o arquitecto do Pártenon; Sófocles, que dá à tragédia
grega a sua forma clássica; Protágoras, o filósofo que ensina que
o homem é a medida de todas as coisas» ...
|
|
No
tempo da Grécia Antiga,
História do Mundo, Selecções do Reader's Digest, 1996, Pág. 131 |

Fonte: http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/Chronology/ChronologyA.html
Aristóteles (384-322
a.C.), em Posterior
Analytics, apresenta uma discussão detalhada do papel dos primeiros princípios em ciências demonstrativas. Os
primeiros princípios são aqueles conceitos ou as afirmações que
permanecem sem serem provadas. A sua veracidade é suposta e delas outras afirmações são provadas. Os
primeiros princípios de Aristóteles podem ser classificados em três tipos:
definições, axiomas, e postulados.
Uma
definição é uma indicação que requer somente uma compreensão dos termos que estão
a ser usados. Não diz nada sobre a existência da coisa que está a ser definida; isto deve ser provado
separadamente. Por exemplo, definir o significado do termo ''círculo" não implica que tal
objecto exista.
Um
axioma ou uma noção comum é uma afirmação, cuja
veracidade é aceite por ser notoriamente óbvia, e que é aplicável - por analogia,
pelo menos - em todas as ciências. Um exemplo é "coisas iguais a uma
terceira são iguais entre si"; este é o primeiro axioma nos Elementos.
Os
postulados, como os axiomas, são assumidos sem prova. Contudo,
enquanto que os matemáticos modernos tendem a não fazer distinção entre os dois, os gregos antigos
faziam-na. Aristóteles indica três maneiras de diferenciar postulados e
axiomas:
- Os postulados não são
evidentes por si mesmo, como são os axiomas.
- Os postulados são aplicáveis somente à ciência específica que está sendo considerada, visto que os
axiomas são mais gerais.
- Os postulados afirmam que algo existe,
enquanto que os axiomas não.
Cada um
dos postulados de Euclides pode
satisfazer algumas ou todas estas interpretações. Por exemplo, o postulado
"descrever um círculo com um dado centro e um dado raio" dá obviamente uma indicação sobre a existência dos círculos
que não é realmente evidente por si mesma, como o é no axioma no exemplo
acima. [4]
Segundo
Proclo,
os gregos antigos definiam os "elementos" de um estudo dedutivo
como os teoremas-mestre, de uso geral e amplo no assunto. Euclides,
no livro Os Elementos, tomou como base cinco axiomas e cinco
postulados geométricos e tentou deduzir todas as suas quatrocentos e
sessenta e cinco proposições dessas dez afirmações. Certamente um dos
grandes feitos dos matemáticos gregos antigos foi a criação da forma
postulacional de raciocínio. [5]
Nos Elementos, após as premissas iniciais aparecem as proposições
divididas em dois tipos: os problemas e os teoremas. A proposição
I.1 é precisamente um problema:
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Hipócrates
(~470 - ~410 a.C.)
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O
SÉCULO DE PÉRICLES |
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Como
pôde Atenas influenciar tão duradouramente a história do Mundo?
A que feliz destino atribuir ao facto de ela se ter tornado a
nossos olhos a cidade grega por excelência? Mesmo que não seja
possível responder a estas perguntas, é forçoso sublinhar até
que ponto somos herdeiros da civilização que desabrochou no coração
do século V a. C.
A inteligência, a independência, a piedade, a emoção, a
indignação, a esperança, tais são os sentimentos que nos
transmitiu, as sensibilidades que nos legou.
É certo que Atenas conheceu a sorte comum que, em meio século, a
fez passar da glória ao declínio. É certo que uma grande parte
dessa glória se baseava no trabalho de escravos, que, apesar de
mais bem tratados do que noutros lugares, nem por isso deixavam de
estar excluídos da comunidade dos cidadãos. É certo que a idade
de ouro da Grécia não deve fazer-nos esquecer a violência das
guerras civis e das confrontações entre ricos e pobres. Mas também
é certo que ninguém hoje pode ser insensível às palavras de Péricles,
que, fazendo o elogia dos guerreiros mortos durante o primeiro ano
de combates entre Atenas e Esparta, proclamava: «Nós sabemos
conciliar o gosto do belo com a simplicidade, e o gosto pelo
estudo com a energia.»
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No
tempo da Grécia Antiga,
História do Mundo, Selecções do Reader's Digest, 1996, Pág. 129 |
A
Chronology of Mathematicians

Aristóteles
(384 - 322 a.C.)

Euclides
(~325 - ~265 a.C.)
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A epopeia de
Alexandre
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Alexandre, o
Grande
Rei da Macedónia (356-323 a.C.) |
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Como pôde um
reinado de 12 anos mudar a face do mundo?
É uma pergunta que já faziam aqueles que rodeavam Alexandre III
da Macedónia, chamado Alexandre Magno, ou o Grande,
impressionados por este jovem de 20 anos que, de 336 a 324 a.C.,
tinha percorrido mais de 18.000 km, travando quatro grandes
batalhas, submetido o império persa de Dario, o Grande Rei,
fundado numerosas cidades chamadas Alexandria, a mais longínqua
das quais se encontra hoje no Tajiguistão, aberto o Oriente à
civilização grega e criado um império que se estendia da actual
Albânia até às fronteiras da Caxemira. E não a terá o próprio
Alexandre feito a si mesmo, ele que determinou que se chamasse
oficialmente «deus invicto», filho do deus do Egipto Amom-Ré,
ou Dionísio encarnado, e que estava convencido de ser descendente
de Aquiles, o rei da guerra de Tróia, e de Herácules, filho do
próprio Zeus? Por muito que o historiador se esforce por
desmontar os mitos, por medir escrupulosamente as partes que cabem
ao mérito e à sorte, é impossível não se deixar fascinar pela
extraordinária epopeia do maior conquistador da Antiguidade, um
conquistador que dá razão a todos aqueles que pensam que os
grandes homens desempenham um papel considerável na história. |
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Clique para ampliar
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No
tempo da Grécia Antiga,
História do Mundo, Selecções do Reader's Digest, 1996, Pág. 169-170 |
O Museu de Alexandria segundo Estrabão
O Museu (templo das Musas) foi
fundado por Ptolomeu I, general de Alexandre, no princípio do século
III a.C. Estrabão descreve assim o Museu no século I a.C.:
"O Museu é também uma parte dos palácios reais; tem um
passeio público, um Exedra (átrios) com assentos e uma casa
grande, na qual se pode encontrar um lugar de reunião comum dos
homens sábios que coabitam no Museu. Este grupo de homens não
compartilha apenas bens em comum mas tem também um sacerdote
encarregue do Museu, que originalmente era nomeado pelos
reis". |
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Tradução livre a
partir de Sarton, G. (1959).
Hellenistic science and culture in the last three centuries B.C
(p. 30). Nova Iorque: Dover |
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A
Cidade Plotomaica
(323 a.C. - 30 a.C.)
Depois da morte de
Alexandre, nenhum sucessor emergiu para reivindicar seu reino. Por
isso, os territórios foram divididos entre vários governadores.
O Egipto era a parte do mais hábil destes: Ptolemeu. Era macedónio
por nascimento, mas testemunhava o nascimento de Alexandria e queria-a
para a capital cultural e intelectual do mundo. Governou em 323
a.C., reinou em 304 a.C., e expandiu o seu reino até incluir Cyrene
(Líbia), Palestina, Chipre, e outras terras. Os seus títulos reais incluíram o
Rei Soter, e o Pharaoh. Sob o reino de Soter, a idade dourada de Alexandria,
a capital novo de Egipto, começara. [E] |
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No
Egipto do século III a. C., os eruditos de Alexandria podiam
trabalhar sem preocupações materiais
O
PRIMEIRO MUSEU
Demétrio de Falero
governava Atenas em nome de Cassandro. Excelente homem de Estado,
não pôde, no entanto, impedir o antigónida Demétrio
Poliocertes, o «tomador de cidades», de conquistar a sua. Foi
então refugiar-se junto dos Lágidas, no Egipto. Aí, convenceu
Ptolemeu I a criar um lugar onde escritores e sábios pudessem
estudar sem terem de ganhar a vida. Assim nasceu o «museu»,
santuário das Musas, as nove divindades protectoras das artes e
das letras. |
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No
tempo da Grécia Antiga,
História do Mundo, Selecções do Reader's Digest, 1996, Pág. 179 |
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Proposição
1, segundo
David E. Joyce
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Euclid's Elements
Book I
Proposition 1
(David E. Joyce)
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To construct an equilateral triangle on a given
finite straight line.
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| Let AB be the given finite
straight line.
It is required to construct an equilateral
triangle on the straight line AB.
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Describe the circle BCD with center A
and radius AB. Again describe the circle ACE with
center B and radius BA. Join the straight lines CA
and CB from the point C at which the circles cut one
another to the points A and B. |
Post.3
Post.1
|
| Now, since the point A is the center of the
circle CDB, therefore AC equals AB. Again,
since the point B is the center of the circle CAE,
therefore BC equals BA. |
I.Def.15 |
| But AC was proved equal to AB,
therefore each of the straight lines AC and BC equals AB. |
| And things which equal the same thing
also equal one another, therefore AC also equals BC. |
C.N.1 |
| Therefore the three straight lines AC,
AB, and BC equal one another. |
| Therefore the triangle ABC is
equilateral, and it has been constructed on the given finite
straight line AB. |
I.Def.20 |
| Q.E.F. |
|
Nota:
Q.E.F.,
no final da prova, é uma abreviatura do Latim "quod erat
faciendum", que significa "qual devia ser feito".
Q.E.D. é uma abreviatura de "quod erat demonstrandum",
que significa "qual devia ser demonstrado". |
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David E. Joyce
Professor de
Mathematics and Computer Science
na
Clark University
|

http://aleph0.clarku.edu/~djoyce/
java/elements/elements.html
I'm creating this version of Euclid's Elements
for a couple of reasons. The main one is to rekindle an interest
in the Elements, and the web is a great way to do that.
Another reason is to show how Java applets can be used to
illustrate geometry. That also helps to bring the Elements
alive. |
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| O texto
desta versão dos Elementos de Euclides é semelhante à
edição de Heath,
que a traduziu da edição definitiva em Grego de Heiberg, mas de
forma menos literal para a tornar mais clara. |
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Proposição
1, segundo
Oliver Byrne
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Euclid's Elements
Book I
Proposition 1
(Oliver Byrne)

Nota:
Q.E.D., no final da prova, é uma abreviatura de "quod erat demonstrandum",
que significa "qual devia ser demonstrado".
Q.E.F. é uma abreviatura do Latim "quod erat
faciendum", que significa "qual devia ser feito".
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Def. 15 |
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Post. 1
Post. 3
Axioma 1 |
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Oliver Byrne
(1815 - 1885)
| Uma edição
pouco comum e atractiva dos Elementos de Euclides foi
publicada em 1847 em Inglaterra, editada por um matemático
desconhecido de nome Oliver
Byrne. Esta publicação inclui os primeiros 6 livros, que
cobre a maioria da geometria plana elementar e da teoria das
proporções. O que distingue a edição de Byrne é que tenta
apresentar as provas de Euclides em termos das figuras
apresentadas, usando pouco texto tanto quanto possível. O que faz
o livro especialmente admirável é o uso da cor. |
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Esta
obra está a ser colocada on-line como um projecto conjunto da University
of British Columbia Library, Special Collections division, e UBC
SunSITE.
Ao consultar estas páginas é possível ir comparando a
obra de Byrne com as de David
Joyce e Heath.
Estas páginas são do site Digital
Mathematics Archive, que contém também a ligação a Erhard
Ratdolt - tanto quanto se sabe, é o primeiro editor de material científico. É famoso
pela sua primeira edição (1482) de Euclides, adaptada da tradução medieval
de Campano. |
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Proposição
1, segundo
edição portuguesa de 1855
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Elementos de Euclides
Livro I
Proposição 1
(edição portuguesa de 1855)
-
PROPOSIÇÃO I. PROBLEMA.
Sobre uma linha recta determinada descrever um triangulo
equilatero.

Seja a linha recta AB de um certo comprimento. Se
deve sobre ella descrever um triangulo equilatero.
Com o centro A e com o intervallo AB se descreva (
Post. 3 ) o circulo
BCD; e com o centro B e com o intervallo BA se descreva o circulo
ACE. Do ponto C, onde os circulos se cortam reciprocamente, se tirem
( Post. 1 ) para os
pontos A, B as rectas CA, CB. O triangulo ABC será equilatero.
Sendo o ponto A o centro do circulo BCD, será AC=AB ( Definiç.
15 ). E sendo o ponto B o centro do
circulo CAE, será BC=BA. Mas temos visto CA=AB. Logo tanto CA, como
CB, é egual a AB. Mas as cousas, que são eguaes a uma terceira, são
eguaes entre si ( Ax. 1
). Logo será CA=CB. Logo as tres rectas CA, AB, BC são eguaes; e
por consequencia o triangulo ABC, feito sobre a recta dada AB, é
equilatero. |
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|
DEFINIÇÕES.
- Ponto é o, que não tem partes, ou o, que não
tem grandeza alguma.
- Linha é o, que tem comprimento sem largura.
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- Circulo é uma figura
plana, fechada por uma só linha, a qual se chama circumferencia:
de maneira que todos as linhas rectas, que de um certo ponto
existente no meio da figura, se conduzem para a circumferencia,
são eguaes entre si.

POSTULADOS.
- Pede-se como cousa possivel,
que se tire de um ponto qualquer para outro qualquer ponto uma
linha recta.
- E que uma linha recta determinada se continue
em direitura de si mesma, até onde seja necessario.
- E que com qualquer centro e
qualquer intervallo se descreva um circulo.
AXIOMAS.
- As cousas, que são eguaes a
uma terceira, são eguaes entre si.
- Se a cousas eguaes se junctarem outras eguaes,
os todos serão iguaes.
- E, se de cousas eguaes se tirarem outras eguaes,
os restos serão iguaes.
- E, se a cousas deseguaes se ajunctarem outras
eguaes, os todos serão deseguaes.
- E, se de cousas deseguaes se tirarem cousas
eguaes, os restos serão deseguaes.
- As quantidades, das quaes cada uma por si faz o
dobro de outra quantidade, são eguaes.
- E aquellas, que são ametades de uma mesma
quantidade, são tambem eguaes.
- Duas quantidades, que se ajustam perfeitamente
uma com outra, são eguaes.
- O todo é maior do que qualquer das suas
partes.
- Duas linhas rectas não comprehendem espaço.
- Todos os angulos rectos são eguaes.
- E se uma linha recta, encontrando-se com outras
duas rectas, fizer os angulos internos da mesma parte menores
que dous rectos, estas duas rectas, produzidas ao infinito
concorrerão para a mesma parte dos dictos angulos internos.
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(Versão digital)

Gomes Teixeira
(1851-1933)
São muito raros
os livros que têm sido tão espalhados em edições, traduções
e comentários como os Elementos de Geometria de Euclides. Na
antiga Grécia foi esta obra comentada por Proclo, Herão, Simplício,
etc., na Idade-Média foi traduzida em latim e árabe e, após a
descoberta da imprensa, fizeram-se dela numerosas edições em tôdas
as línguas europeias. A primeira destas edições foi a de
Campano, em latim, publicada em 1482, edição usada pelo nosso
Pedro Nunes, que a citou numerosas vezes nas suas obras.
Em Portugal, publicou Angelo Brunelli em 1768 uma tradução na
nossa língua dos seis primeiros livros, do undecimo e do
duodecimo. Para esta tradução serviu-se da versão latina de
Frederico Comandino e fê-la seguir de algumas notas com que
Roberto Sinson tinha ilustrado esta versão. O livro de que nos
estamos ocupando, foi outr’ora muito usado nas escolas
portuguesas, e por isso fizeram-se novas edições da tradução
de Brunelli em 1790, 1792, 1824, 1835, 1839, 1852, 1855 e 1862. |
|
| É
exactamente a versão digital da edição de 1855 da tradução de
Angelo Brunelli que é considera agora nesta secção. |
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Proposição
1, segundo uma linguagem actual
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Elementos de Euclides
Livro I
Proposição 1
(linguagem actual)
Sobre um segmento de recta dado, construir um triângulo equilátero.
| Consideremos
um qualquer segmento de recta [AB]; sobre ele vamos construir um triângulo
equilátero. |
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| Construamos
a circunferência de centro em A e que passa em B (Post.3);
construamos ainda a circunferência de centro em B e que passa em A
(Post.3). |
|
|
| Tracemos
agora os segmentos de recta [CA] e [CB], desde o ponto C (onde as
circunferências se intersectam) até aos pontos A e B,
respectivamente (Post.1). |
|
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| Como
A é o centro da circunferência primeiro construída, então [AB] e
[AC] são iguais (Def.15). De igual modo, considerando a
circunferência de centro em B, serão também iguais [AB] e [BC] (Def.15). |
| Sendo
[AC] igual a [AB] e [BC] igual a [AB], então [AC] é também
igual a [BC] (NC1). Logo, os três segmentos, [AB], [BC] e [AC],
são iguais entre si e, consequentemente, o triângulo [ABC],
construído sobre [AB], é equilátero (Def.24). |
|
Q.E.F. |
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|
|
| Agora,
na demonstração da Proposição 1 do Livro I dos Elementos, vão
ser tidos em conta os primeiros princípios considerados na
versão portuguesa de 1855 (tradução de Angelo Brunelli), com o
enunciado sugerido pelo formador José Miguel Sousa. |
| A essa
lista, foi acrescentada a Def.24: |
| Círculo
é uma figura plana contida por uma linha tal que todas as linhas
rectas com extremidades nessa linha e num ponto contido na figura
são iguais. Este ponto chama-se centro do círculo. |
Def.15 |
| Entre
os triângulos, o triângulo equilátero é o que tem os três
lados iguais. |
Def.24 |
| Traçar
uma linha recta de qualquer ponto a qualquer ponto. |
Post.1 |
| Prolongar
continuamente uma linha recta numa linha recta. |
Post.2 |
| Descrever
um círculo com um dado centro e passando por um dado ponto. |
Post.3 |
| Coisas
iguais a uma terceira são iguais entre si. |
NC1 |
| Se
iguais são adicionados a iguais então os todos são iguais. |
NC2 |
| Se
iguais forem subtraídos de iguais então os restantes são iguais. |
NC3 |
Nota:
Estas aplicações em java foram criadas com o programa Cinderella.

Cinderella é
um programa destinado a fazer geometria no computador. Está a partir de
agora disponível em português, em particular nas escolas portuguesas.
Este fórum interactivo
pretende ser um instrumento de comunicação para a troca de ideias e
experiências entre os seus utilizadores.
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Proposição
1,
ao alcance de cada um
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Elementos de Euclides
Livro I
Proposição 1
(ao alcance de cada um)
Sobre um segmento de recta dado, construir um triângulo equilátero.
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Depois
de ter lido a demonstração e manipulado a construção, é a sua
vez de criar a construção com régua não graduada e compasso. |
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Onde
as circunferências se intersectam
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Porque
é que o ponto C existe?
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Near
the beginning of the proof, the point C is mentioned where the
circles are supposed to intersect, but there is no justification for
its existence. The only one of Euclid's postulate that says a point
exists the parallel postulate, and that postulate is not relevant
here. Thus, there is no assurance that the point C actually exists.
Indeed, there are models of geometry in which the circles do not
intersect. Thus, other postulates not mentioned by Euclid are
required. In Book III, Euclid takes some care in analyzing the
possible ways that circles can meet, but even with more care, there
are missing postulates.
|
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David E. Joyce, em: http://aleph0.clarku.edu/~djoyce/java/elements/bookI/propI1.html |
|
Será
ainda interessante consultar a ligação anterior para apreciar as
seguintes críticas:
-
Porque
é [ABC] uma figura plana?
-
Porque é que [ABC] contém um triângulo equilátero?
|
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<josemiguel>
Será que a figura desempenha aqui um papel importante, ou não?
<Susana_Rainho> a prova deverá ser independente da figura
<Moura> A figura é um exemplo que sustenta o problema?
<Carla_Lopes> a figura ajuda a entnder
<josemiguel> pois é Susuna, deveria. Mas com Euclides isso não
acontece. Só mais tarde com Hilbert
<josemiguel> muitas vezes a prova precisa da figura
<Susana_Rainho> apercebi-me disso quando estive a fazer o
trabalho 1
<Paulo__Dias_> Recordem-me: segmentos congruentes=com o mesmo
comprimento?
<Amaral> Para ilustrar o raciocínio, apenas.
<josemiguel> isso mesmo, tb era para isso o trab 1
<Amaral> Geometricamente iguais (não orientados).
<Carla_Lopes> se não há imagem não há um caminho real
<josemiguel> não temos nada na axiomática de euclides, que nos
garanta, por exemplo, que o ponto E seja a intersecção das duas
circunferências
<Amaral> Sim, é verdade.
<RAUL> Acredito
<josemiguel> o mesmo se passava na construção no trab 1
<Carla_Lopes> sim
<Amaral> Exactamente.
<josemiguel> por isso, as figuras aqui eram importantes
<josemiguel> essa é uma das falhas apontadas à axiomática de
euclides, mas não é isso que perde a sua importância
|
|
Extracto do log da
sessão 3, em 8 de Outubro de 2003 |
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Existem
duas escolhas para o ponto C, mas uma chega...
Mas, ... |
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Geometria Euclidiana
Geometria Hiperbólica
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Postulado
n, Definição m, Axioma p, ... ???
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Axiomas,
Postulados e Definições.
Quantos? Quantas?
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Como
acima foi referido, Euclides, no livro Elementos, tomou como
base cinco axiomas e cinco postulados geométricos e tentou deduzir
todas as suas quatrocentos e sessenta e cinco proposições dessas
dez afirmações.
|
|
Quando
consultamos os
primeiros princípios considerados na
versão portuguesa de 1855 (tradução de Angelo Brunelli)
deparamo-nos com valores totalmente diferentes. O mesmo acontece
quando consideramos
a versão de Byrne.
|
|
O que se passa?
|
|
Comparando os
enunciados (com alguma liberdade) dos postulados e dos axiomas nas
três versões aqui usadas (versão portuguesa de 1855,
de Byrne e de Joyce), podemos observar as conclusões registadas na
tabela à direita.
|
|
[20:20]
<Amaral> Já agora, quando se refere Def., NC, Post, é usual
referenciar pela versão mais antiga como a do Joyce, etc?
...
[20:20] <josemiguel> sim Amaral, essa é a referência
...
[20:21] <Amaral> A do Byrne é muito semelhante, se não
igual, à portuguesa de 1855.
[20:21] <josemiguel> porque o Joyce fez mais que traduzir e
usar as melhores fontes e várias
...
[20:22] <josemiguel> não conheco a de Byrne, mas pode ter
"fontes" comuns com a pt
...
[20:23] <josemiguel> penso que as fontes da pt e as de Joyce não
são bem as mesmas
[20:23] <josemiguel> Foram percorridos outros caminhos
[20:23] <Amaral> Pois não.
...
[20:24] <josemiguel> por isso eu uso sempre a de Thomas Heath
que é a que o Joyce colocou on-line
[20:24] <josemiguel> além disso os livros da Dover são
excelentes
[20:25] <Amaral> Sim. Mas a tradição portuguesa parece ser
outra, pelo que o 5.º axioma (famoso) nunca é bem identificado,
por exemplo.
[20:26] <Amaral> Postulado, digo.
[20:27] <josemiguel> isso mesmo, já pelas definições
apercebemo-nos que os "caminhos" foram outros
...
[20:28] <Amaral> Na de 1855 aparece como axioma 12. |
|
Extracto do log da
sessão 3, em 8 de Outubro de 2003 |
|
Elementos,
o tratado clássico de geometria escrita por Euclides, é usado
como um livro de texto há mais de 1.000 anos na Europa ocidental.
Uma versão árabe apareceu no
fim do oitavo século, a primeira versão impressa foi produzida
em 1482 por Erhard
Ratdolt (em Latim, usando o texto supostamente traduzido do
Árabe por Adelard
of Bath no séc. XII, cuja fonte parece ter sido uma
tradução Árabe de al-Hajjaj feita do Grego) e, desde então, os
Elementos ultrapassaram mais de 2.000 edições.
As ligações seguintes são
relativas a algumas dessas edições:
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|
Página
da 1.ª edição impressa (em Latim) dos Elementos,
pelo alemão Erhard Ratdolt, em 1482. |
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Estudo
comparativo de postulados e axiomas |
| Versão portuguesa de 1855 |
Versão
de Byrne |
Versão
de Joyce |
| Post.
1 |
Post.
1 |
Post.
1 |
| Post.
2 |
Post.
2 |
Post.
2 |
| Post.
3 |
Post.
3 |
Post.
3 |
| Ax.
1 |
Ax.
1 |
CN
1 |
| Ax.
2 |
Ax.
2 |
CN
2 |
| Ax.
3 |
Ax.
3 |
CN
3 |
| Ax.
4 |
Ax.
4 |
- |
| Ax.
5 |
Ax.
5 |
- |
| Ax.
6 |
Ax.
6 |
- |
| Ax.
7 |
Ax.
7 |
- |
| Ax.
8 |
Ax.
8 |
CN
4 |
| Ax.
9 |
Ax.
9 |
CN
5 |
| Ax.
10 |
Ax.
10 |
- |
| Ax.
11 |
Ax.
11 |
Post.
4 |
| Ax.
12 |
Ax.
12 |
Post.
5 |
|
| CN
é equivalente a Axioma |
|
Fontes |
| Versão portuguesa de 1855 |
Versão
de Byrne |
Versão
de Joyce |
| Em
Portugal, publicou Angelo Brunelli em 1768 uma tradução
na nossa língua dos seis primeiros livros, do undecimo e
do duodecimo. Para esta tradução serviu-se da versão
latina de Frederico Comandino e fê-la seguir de algumas
notas com que Roberto Sinson tinha ilustrado esta versão |
Provavelmente
uma versão em língua inglesa, por exemplo, "Euclides
Elements of Geometry: The first VI Books", de Thomas
Rudd.
Será?
|
O
texto desta versão dos Elementos de Euclides é
semelhante à edição de Heath,
que a traduziu da edição definitiva em Grego de Heiberg,
mas de forma menos literal para a tornar mais clara. |
| Ver |
Ver |
Ver |
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|
|
Alguma
referência bibliografia
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[1]
Struik, J. Dirk, História Concisa das Matemáticas, Ciência Aberta, n.º 33,
Gradiva, pág 76
[2] http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Euclid.html
[3] http://www.acmi.net.au/AIC/EUCLID_BIO.html
[4]
http://www.obkb.com/dcljr/euclid.html#def
[5]
http://www.matematica.br/historia/euclides.html
[A]
Davis, Philip J. e Hersh, Reuben, A Experiência Matemática, Ciência
Aberta, n.º 75, pág. 299-301 [B]
Davis, Philip J. e Hersh, Reuben, A Experiência Matemática, Ciência
Aberta, n.º 75, pág. 3001-302 [C]
Davis, Philip J. e Hersh, Reuben, A Experiência Matemática, Ciência
Aberta, n.º 75, pág. 303-309 [D]
Davis, Philip J. e Hersh, Reuben, A Experiência Matemática, Ciência
Aberta, n.º 75, pág. 309-310
[E]
http://ce.eng.usf.edu/pharos/alexandria/history/ptolemaic.html
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