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Escola Secundária/3 da Sé-Lamego Ficha de Trabalho de Matemática Ano Lectivo 2003/04 Quadraturas... 10.º Ano Introdução ao TrabalhoUma das necessidades mais antigas das civilizações foi a medição de áreas. O quadrado é, sem dúvida, a figura mais simples e aquela com que parece ter sido intuitivamente mais fácil medir áreas desde todos os tempos. Talvez por isso, os antigos geómetras tentaram estudar as áreas de outras figuras, relacionando-as com o quadrado; por isso se usou a expressão "quadratura" do rectângulo, do triângulo, de um polígono e do círculo no sentido de procurar um quadrado com área igual à de cada uma daquelas figuras.
Euclides, na proposição 14, Livro II dos Elementos, apresenta a figura ao lado, em que [ABCD] é um rectângulo; é igual a e, construída a semicircunferência de diâmetro [AE] e determinado F, prolongando [BC] até à circunferência, Euclides afirma que o quadrado [FBHG] tem a mesma área que o rectângulo [ABCD]. Mas uma quadratura que fascinava os geómetras gregos era a quadratura de figuras curvilíneas, como o círculo, ou figuras limitadas por arcos de circunferência como as lúnulas.
O problema de achar um quadrado com a mesma área que um círculo dado, usando os instrumentos de Euclides, atravessou séculos e séculos de História, conheceu inúmeras tentativas de resolução e outras tantas soluções que mais tarde vieram a ser contrariadas. Por exemplo, o matemático português Pedro Nunes (1502-1578) provou, na sua obra De erratis Orontii Finaee, que estava errada a solução encontrada pelo francês Oronce Finée. A mais antiga referência ao problema da quadratura do círculo que chegou até aos nossos dias consta do papiro de Rhind, copiado cerca de 1800 anos a. C. pelo escriba Ahmes, a partir de um documento já com um ou dois séculos de existência nessa altura. Para calcular a área de um círculo de diâmetro d, Ahmes subtrai de d a d, multiplica a diferença por d e subtrai a este produto a sua nona parte. Ou seja, o círculo fica associado a um quadrado cujo lado mede do seu diâmetro. Pode considerar-se que este é um óptimo resultado para a quadratura do círculo, tendo em conta outras tentativas entretanto conhecidas e cujos resultados estão mais afastados do valor da área do círculo. Após numerosas pesquisas infrutíferas para encontrar a solução exacta para a quadratura do círculo, começou a levantar-se entre os matemáticos do séc. XVI a dúvida sobre a existência de tal solução. James Gregory tenta demonstrar a impossibilidade da quadratura (1667), mas é só em 1882 que o matemático Lindemann põe fim às dúvidas demonstrando cabalmente a inexistência de solução para o problema da "quadratura do círculo”. Adaptado de Um pouco de História, Infinito 10, pág. 50, Areal Editores, 1997
TrabalhoIMPORTANTE São apresentadas algumas sugestões, que, eventualmente, podem ajudar a ultrapassar alguma dificuldade que vás encontrando ao longo da tua resolução. Podem ser dadas algumas indicações que esclareçam o significado dos enunciados das questões. Se tiveres necessidade, solicita-as.
A. Prova a veracidade da proposição de Euclides: Euclides, na proposição 14, Livro II dos Elementos, apresenta a figura ao lado, em que [ABCD] é um rectângulo; é igual a e, construída a semicircunferência de diâmetro [AE] e determinado F, prolongando [BC] até à circunferência, Euclides afirma que o quadrado [FBHG] tem a mesma área que o rectângulo [ABCD].
B. Já no século V a.C., a geometria das áreas relativa a figuras poligonais constituía um domínio de vastidão apreciável e a sua extensão às figuras curvilíneas se apresentava como um problema de investigação matemática. A principal questão que se punha era a de, dado um círculo, construir com régua e compasso o lado dum quadrado com área igual à desse círculo. Como hoje se sabe, tal construção é impossível apenas com aqueles instrumentos. Mas Hipócrates de Quios conseguiu quadrar, no contexto da geometria plana da régua e do compasso, certas figuras curvilíneas chamadas lúnulas. Duas circunferências complanares, com dois pontos em comum, A e B, dividem o plano em quatro regiões. Uma dessas regiões chama-se lúnula, se estiver contida nalgum dos dois semiplanos determinados pela recta AB; portanto, trata-se duma figura plana delimitada por dois arcos de circunferência com a concavidade no mesmo sentido.
Os três arcos
são semicircunferências com centros nos pontos médios dos lados do triângulo
[ABC].
C. Para calcular a área de um círculo de diâmetro d, Ahmes subtrai de d a d, multiplica a diferença por d e subtrai a este produto a sua nona parte. Ou seja, o círculo fica associado a um quadrado cujo lado mede do seu diâmetro.
Pode considerar-se que este é um óptimo resultado para a quadratura do círculo, tendo em conta outras tentativas entretanto conhecidas e cujos resultados estão mais afastados do valor da área do círculo. Verifica os cálculos indicados e comprova o óptimo resultado para a quadratura do círculo.
D. Vamos regressar à proposição II.14. A construção proposta por Euclides sugere um processo geométrico de construir um segmento de recta de comprimento igual à raiz quadrada do comprimento de um dado segmento. Prova que, de facto, assim é: .
E. A possibilidade da quadratura do círculo pela construção euclideana dependia inteiramente de ser ou não algébrico. O teorema de Lindemann provou então a irracionalidade de , e provou que o problema da quadratura do círculo é impossível pelas regras da geometria grega. Portanto a transcendência de implica que não existe uma construção com régua e compasso, para construir um quadrado com igual área a um círculo dado. Isto é o fim da história de e da quadratura do círculo. Podes fazer uma viagem pela história de , vendo o trabalho realizado em 1999/2000 por duas alunas da Escola Secundária Padre Alberto Neto (Queluz): http://joanario.no.sapo.pt/pi.htm. FIM O Professor
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